Solidão!

Como não me abandonar quando todas as outras pessoas já me abandonaram? Como não sucumbir ao fim quando não resta mais esperança dentro do peito?

Hoje eu me vejo mais solitário do que nunca. Parece que o mundo já acabou há muito tempo e eu só esqueci de parar de respirar. Nada mais faz sentido — é como se o automático estivesse ligado na aceleração máxima, indo de encontro ao fim.

Eu não posso mais pedir ajuda. Eu não posso mais gritar. Eu não posso mais fingir que vai ficar tudo bem quando eu sei que não vai.

Toda vez que eu olho ao meu redor, mais solitário eu me sinto. As pessoas foram me deixando e me esquecendo, foram indo embora uma por uma, e aqui estou eu no caos da solidão. Não sei mais o que sinto; desistir já deixou de ser opção e virou a única saída. Só me resta a coragem — ou a falta dela.

Nós não fomos criados para a solidão. Então, por que a minha vida inteira se resume a isso? Por que as pessoas vão embora da minha vida sem pensar duas vezes? Por que passei mais de trinta anos indo atrás de um afeto que me foi negado desde que me entendo por gente? Talvez a culpa seja minha. Uns têm amor de sobra, outros têm mais dores do que conseguem suportar… Talvez eu mereça carregar o fardo de viver sozinho para já estar acostumado com a morte. Nada disso deveria me afetar — então por que me afeta? Por que eu sinto falta de algo que não consigo ter?

Estou cansado de sofrer em silêncio todos os dias da minha vida, enquanto o mundo gira ao meu redor. Todo mundo tem alguém, menos eu. Não tenho amigos, não tenho família, não tenho amores; se brincar, não tenho nem a mim mesmo. Já me perguntei o que há de errado comigo. Já rezei, implorei para receber pelo menos migalhas de afeto — e tudo foi em vão. É como se eu não existisse para o mundo… E, de tanto não existir para o mundo e para as pessoas, talvez logo eu deixe de existir de verdade, assim como o vazio dentro de mim insiste em dizer que não existe mais razão quando não existe propósito.

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