Desde que a depressão se adensou dentro de mim, a solidão deixou de ser uma visita e passou a morar no meu peito. Tornei-me ainda mais solitário do que já era.
Eu, que sempre contei nos dedos os poucos amigos que tinha, vi essa palavra — amigos — desmanchar-se, reduzida ao pó que o vento leva sem perceber.
Falo pouco ao longo do dia; às vezes, quase nada. Minha única válvula de escape são as consultas com minha psicóloga e meu psiquiatra. São eles que me escutam — ainda que seja parte do ofício deles — e, mesmo assim, parecem ser as únicas vozes que conseguem atravessar o silêncio que me cerca.
É duro compreender que, para tantas pessoas, eu simplesmente não faço falta. Não o suficiente para que se lembrem da minha existência. Eu sei que cada um carrega suas próprias batalhas, suas dores, seus pequenos mundos… mas, ainda assim, será que ninguém tem dez minutos para perguntar como eu estou? Para me ouvir de verdade?
Sinto-me perdido. Perco-me porque já não enxergo saída para as minhas dores. Não é dor física — é uma dor que se instala na alma, que aperta o coração, que ecoa onde ninguém vê.
A cada nova manhã de solidão, me pego questionando a própria vida. Como a criança que não entende por que não pode brincar, eu me pergunto por que a vida escolheu ser tão cruel comigo.
A solidão e o silêncio deixaram de ser passageiros; tornaram-se parte da minha identidade, como se eu tivesse sido moldado por eles. Pedi ajuda tantas vezes que, em algum ponto, percebi que ninguém se importa realmente se eu fico ou se desapareço.
Talvez eu ainda esteja aqui por covardia — ou talvez por causa daquela pequena porção de esperança que insiste em sobreviver dentro de mim. Ela respira fraca, quase apagada, mas ainda teima em existir, mesmo quando tudo parece me empurrar para o fim da linha.