Serei eu sempre o erro da história?
O vilão das minhas próprias dores?
Serei eternamente responsabilizado pelo que sinto quando é o outro quem me fere?
Sinto-me perdido. O vazio já se instalou como moradia, e a vida parece ter se ausentado sem aviso. A cada dia, a solidão se adensa, e não condeno os que partiram — há tempos desejo partir de mim também.
Não são apenas os outros que me apontam o dedo; sou eu quem mais acusa. Eu me julgo, me condeno e me puno em silêncio. Tudo o que faço parece insuficiente, errado, falho — aos olhos dos outros, aos meus próprios olhos, até diante de Deus.
Eu só queria falar sem ser sentenciado. Queria que alguém permanecesse em silêncio ou me ouvisse por dez minutos sem enumerar minhas falhas. Eu sei que sou imperfeito, erro comigo o tempo inteiro, mas quando o outro falha, eu não tenho o direito de sentir? Não me é permitido chorar?
Parece que fui condenado a engolir sentimentos, angústias e dores a seco, sem direito à voz. Não posso ser vítima; estou destinado ao papel de culpado. Culpado pelas minhas escolhas, pelas minhas atitudes e, cruelmente, até pelas atitudes alheias.
Estou exausto de ser o vilão da minha própria vida e o herói dos erros dos outros.