Sistema!

Eu estou tentando viver com um corpo que sente demais num mundo que sente pouco — e isso exige inteligência, não mais força, e eu não tenho nenhum dos dois.
Eu estou no meu limite, vejo a vida passando depressa diante dos meus olhos, mas me sinto estagnado no mesmo lugar. Eu sinto minha falta. Falta das coisas que eu gostava, mas, na verdade, eu nem lembro mais de quem eu era, do que gostava ou do que me fazia feliz.
Isso parece tão vago, mas sinto que me perdi em algum momento que não sei dizer exatamente qual, e acabei me tornando algo que nem sei explicar exatamente o que é, mas esse não é aquele que eu sonhava em ser quando criança.
Sinto que cheguei cedo demais em um mundo que não me enxerga — e acho que nunca será capaz de me enxergar.
Eu me escuto, me cuido e me acolho, enquanto tudo ao meu redor me destrói. Não sei até quando serei capaz de suportar as dores da solidão, mesmo tentando ser forte o tempo todo.
Às vezes, me pego pensando em todas as vezes que não me escolhi, e por isso acabei destruindo cada pedaço de bom que eu tinha. Mesmo ainda sendo minha própria casa, não me sinto mais o mesmo.
Eu gostaria de escrever algo que não fosse triste, mas eu estaria me traindo outra vez. Será que eu não posso ser a criança que chora sem ser julgada, mesmo tendo mais de trinta anos? Ou, quando crescemos, deixamos morrer até os sentimentos que temos guardados em uma caixa, porque adulto não pode demonstrar fraqueza, ou a vida acaba passando por cima? Mas a vida já acaba fazendo isso de qualquer maneira, não é mesmo?
Acho que eu sou a única pessoa que não consegue se manter feliz durante mais de dez minutos. Minha tristeza é crônica, assim como o vazio no meu peito.
Uma vez eu li que, para ser poeta, você precisa ser triste, e, se isso for verdade, acho que acabei levando à risca demais.
Eu queria que a vida passasse depressa para que tudo acabasse logo, mas vê-la passando diante dos meus olhos tão rápido e não ter vivido é o que mais me dói. Sobreviver não é viver, ainda mais quando seus sonhos mais simples morrem sem nunca ter saído do papel.
Eu não preciso vencer o sistema. Eu preciso não morrer dentro dele.

Deixe um comentário