Eu sou meu próprio juiz, júri e carrasco. Eu mesmo me julgo e me condeno em todas as circunstâncias da vida. Sou meu próprio inimigo; acabo me punindo antes mesmo de fazer algo. Ninguém aponta mais o dedo para mim do que eu. Estou o tempo todo pensando nos outros — no que vão pensar, achar e dizer… Mas a verdade é que sou insignificante para todos. Ninguém irá se importar com o que eu faço, então por que tenho tanto medo de viver assim?
Por que não me deixo ser livre e feliz, sem colocar empecilhos em todas as esferas da minha vida? Por ser sempre esquecido, julgado, a última opção, comecei a achar isso normal — e a fazer o mesmo comigo. Como alguém vai me amar se nem eu me amo? Como vou me amar se ninguém me ama?
O tempo corre contra mim, mas, mesmo sabendo disso, não consigo deixar de ser cruel comigo mesmo. Não sei dizer se o mundo me enlouqueceu ou se fui eu quem enlouqueceu o mundo. Apenas aceito a apatia de viver o caos dos próprios medos e inseguranças.
Hoje eu quis chorar, quis abrigo, quis mudar tudo em mim e tudo no mundo. Hoje eu quis ser menos frio, quis ser mais profundo… Mas como posso ser alguma coisa se não sou capaz de sentir nada? Hoje eu nem quis sair do meu quarto, nem fui capaz de fazer algo por mim. Como seria capaz de conquistar os outros — ou o mundo?
Talvez meu destino seja sempre ser meu próprio carrasco, e fazer com que meu coração seja destruído primeiro por mim, e não pelo mundo, seja a única forma que encontrei de ser gentil comigo mesmo.
