Preconceito e Violência Contra Travestis e Transexuais no Brasil

A violência e o preconceito estão muito presentes na vida dos transexuais e travestis no Brasil, não apenas nos casos de agressões (que teve um aumento de 800% no período de 2014 a 2017, passando de 494 notificações para 4.137), como também na falta de direitos básicos, como saúde pública e uma legislação que garanta os seus direitos. O Brasil é disparado o líder do ranking dos países com mais registros de homicídios de pessoas transgêneras (neste país ocorreu 868 mortes de travestis e transexuais nos últimos oito anos). Desse modo os dados levantados revelam o quanto é perigosa a vida de pessoas transgêneras no Brasil, não só em decorrência da violência física, mas também pela falta de segurança em ambientes como o escolar, já que 73% dos estudantes que não se declaram heterossexuais já foram agredidos verbalmente, e a cada quatro desses alunos um sofreu agressões físicas. Segundo levantamentos da Ordem dos Advogados do Brasil, a evasão escolar de travestis e transexuais chega a 82%, aumentando a vulnerabilidade dessa população e favorecendo os altos índices de violência, já que devido à falta de oportunidades e de políticas públicas que tornem o ambiente escolar seguro 90% das travestis e transexuais no país sobrevivem da prostituição. Diante de todo esse cenário de exclusão com raras oportunidades de emprego, aumentam ainda que indiretamente os obstáculos para pessoas transgêneras no país. A falta de políticas públicas e de políticas públicas que lhes garanta direitos básicos ainda ocorre de maneira lenta no Brasil. Das poucas iniciativas tomadas, constam a regra para a retificação de nome e gênero na certidão de nascimento e casamento, que ocorre diretamente no cartório; bem como o processo transexualizador (conjunto de procedimentos para adequar corpo a identidade de gênero), ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas embora haja uma população estimada de 752 mil transexuais no Brasil, apenas onze cidades possuem esse ambulatório especializado que oferta atendimento psicológico, hormonioterapia e cirurgias, sendo uma vitória, já que – por exemplo – até 1997 era proibida a cirurgia de redesignação sexual (adequação dos genitais ao gênero que a pessoa se identifica). Ademais, uma das conquistas mais recentes é o projeto de lei que enquadra LGBTfobia como crime de racismo. Logo, diante de todos esses fatores, o Brasil é um dos países mais intolerantes e perigoso para a população transexual no mundo. Não só por ser o país que – segundo os registros – mais mata essa população, mas por toda exclusão sofrida pelas pessoas que decidem viver sua verdadeira identidade de gênero.